Terça-feira, Janeiro 17, 2012

MOTIM DE CONSUMIDORES EXCLUIDOS

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman considera que "as explosões ocorridas em Londres são uma combinação de desigualdade social e consumismo”.

Radicado em Londres desde 1968, o sociólogo Zygmunt Bauman, afirmou, em entrevista para o Globo, que as imagens da cidade representaram uma revolta motivada pelo desejo de consumir, não por qualquer preocupação maior com mudanças na ordem social. Para ele, a capital britânica viu os distúrbios do consumidor excluído e insatisfeito.

O quão irônico foi para o senhor ver os distúrbios se concentrando na pilhagem de roupas e artigos eletrônicos?

Esses distúrbios eram uma explosão pronta para acontecer a qualquer momento. É como um campo minado: sabemos que alguns dos explosivos cumprirão sua natureza, só não se sabe como e quando. Num campo minado social, porém, a explosão se propaga, ainda mais com os avanços nas tecnologias de comunicação. Tais explosões são uma combinação de desigualdade social e consumismo. Não estamos falando de uma revolta de gente miserável ou faminta ou de minorias étnicas e religiosas reprimidas. Foi um motim de consumidores excluídos e frustrados.

Mas qual a mensagem que poderia ser comunicada?

Estamos falando de pessoas humilhadas por aquilo que, na opinião delas, é um desfile de riquezas às quais não têm acesso. Todos nós fomos coagidos e seduzidos para ver o consumo como uma receita para uma boa vida e a principal solução para os problemas. O problema é que a receita está além do alcance de boa parte da população.

Trata-se de um desafio a mais para as autoridades na tarefa de acalmar os ânimos, não?

O governo britânico está mais uma vez equivocado. Assim como foi errado injetar dinheiro nos bancos na época do abalo global para que tudo voltasse ao normal - isso é, as mesmas atividades financeiras que causaram a crise inicial - as autoridades agora querem conter o motim dos humilhados sem realmente atacar suas causas. A resposta robusta em termos de segurança vai controlar o incêndio agora, mas o campo minado persistirá, pronto para novos incêndios. Problemas sociais jamais serão controlados pelo toque de recolher. A única solução é uma mudança cultural e uma série de reformas sociais. Senão, a mistura fica volátil quando a polícia se desmobilizar do estado de emergência atual.

Mais problemas são inevitáveis, então?

Enquanto não repensarmos a maneira como medimos o bem-estar, sim. A busca da felicidade não deve ser atrelada a indicadores de riqueza, pois isso apenas resulta numa erosão do espírito comunitário em prol de competição e egoísmo. A prosperidade hoje em dia está sendo medida em termos de produção material e isso só tende a criar mais problemas em sociedades em que a desigualdade está em crescimento, como no Reino Unido.

Disponível em: http://migre.me/7zspS

Quarta-feira, Novembro 30, 2011

Cultura como Produto


De acordo com Jean Baudrillard (1995, p.18), o consumo não se caracteriza apenas pela venda de produtos, mas também a venda de “matéria cinzenta”: a cultura como produto é o que nos leva a sermos a sociedade de consumo.

Chegamos ao ponto em que o consumo invade toda a vida, em que todas as atividades se encadeiam do mesmo modo combinatório, em que o canal das satisfações se encontra previamente traçado, hora a hora, em que o envolvimento é total, inteiramente climatizado, organizado, culturalizado. (BAUDRILLARD, 1995, p.19)

Devemos entender, portanto, que na atualidade, o fenômeno do consumo transcende o ato da mera aquisição do necessário e justificável, para tornar-se o “clímax” da vida humana. O SER se transforma no TER e a “climatização geral da vida” é o acontecimento do consumo, do consumir. Ainda de acordo com Baudrillard (1995), os homens da riqueza acabam por, não mais serem rodeados de outros homens, mas sim, serem rodeados por objetos que os definem como homens da opulência.

Jameson (1996) caracterizou o pós-modernismo não como um estilo, que simplesmente marca a arquitetura ou as artes, mas afirma tratar-se sim de uma dominante cultural. Desta forma a sociedade de consumo, da qual fala Jameson (1996), é a própria sociedade das mídias e da informação, que não identifica mais a fronteira entre a alta cultura e a cultura de massa.

Numa transformação inédita e espetacular daquilo que não era produto para o que hoje é totalmente vendável, a sociedade de consumo, referida por Jameson (1996), se posta como um resultado da globalização, que por sua vez é a conseqüência de um boom da produção em massa da sociedade industrial. Aquilo que por hora se passava como um elemento da sociedade sem vínculo lucrativo, como as identidades culturais, hoje estão em qualquer mercado popular ou shopping center à venda, como um simples tomate de feira ou com o valor de um vinho do porto.

Segunda-feira, Novembro 14, 2011

As Filosofias da Existência



Nas primeira décadas do século XX, o mundo estava em crise.

A filosofia também.

A esperança de um mundo mais livre e mais justo não se concretizara, trazendo a descrença na política e na ideia de história como progresso.

Freud explora o inconsciente. Diversos pensadores passam a questionar o sentido da vida humana.

Explodem as guerras, a barbárie fascista, a revolução sexual, o anseio de liberdade dos povos oprimidos. A força dos fatos históricos é, enfim, grande demais para ser ignorada.

Atenta às complexidades do mundo, a filosofia incorpora as discussões sociais, éticas e existenciais do período.

Sem Deus para lhe dizer como agir, e repelindo a voz ditatorial do Estado totalitário, o homem contemporâneo sente toda a solidão de, por conta própria, construir seu próprio destino.

Vivencia, assim, um sentimento de angustia, vazio e desemparo. E parte em busca de sentido da existência, o que marcaria profundamente essa nossa época de ansiedade, o século XX.

Iniciado o século XXI, parece que nada mudou, ou estou enganado?



Quinta-feira, Agosto 11, 2011

Sociedade de Consumo

Zygmunt Bauman, escrevendo sobre a "Cultura Consumista", enfatizou a relação existente entre o indivíduo e a mercadoria onde o primeiro depende do segundo, oferecendo uma espécie de segurança ao sujeito. Essa relação estaria, de acordo com Bauman, estreitamente ligada com a contemporaneidade designada por ele como sociedade líquida e efêmera, o que favorece o processo cíclico do consumo.

Para o autor a correlação existente entre a questão consumista e a produtivista, nega a satisfação pelo uso do comum e do duradouro, o que justificaria a moda descartável e passageira, mas sempre a serviço do ciclo do capital. Por essa razão a satisfação do consumidor nunca será completa, uma vez que o consumo depende desta negação e do não atendimento de suas necessidades.

No "consumismo" o tempo e a duração da mercadoria são requisitos para manter as economias das empresas, isso torna o tempo volátil, inclusive sendo favorecido pela virtualidade como modo de vida e engajamento político.

Por tudo isso, de acordo com Bauman, as pessoas procuram se exibir como uma necessidade, mudando sua identidade conforme as demandas sociais, assumindo a forma de mercadorias, numa busca constante para encontrar o seu eu estabelecido pela sociedade numa tentativa de fugir das incertezas.


BAUMAN, Zygmunt. Vida para Consumo: a transformação das pessoas em mercadorias. Editora: Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2008.

Segunda-feira, Julho 25, 2011

Revolução da Incerteza

"A revolução contemporânea é a da incerteza" (J. Baudrillard)

Como produto do capitalismo, notadamente em sua fase denominada "flexivel", tem-se A Revolução da Incerteza.

Neste contexto a "economia da permanência" cede lugar à chamada "economia da transitoriedade": tudo passa;

A obsolescência é planejada;

Os pontos de referência desaparecem;

Os fluxos (de pessoas, imagens, informações, equipamentos...) são intensificados.

O declínio das metanarrativas* impede a afirmação de qualquer grande verdade. Isto faz da Pós-Modernidade o lugar do efêmero, do fugaz e, portanto, o lugar da incerteza.

*Na filosofia e na teoria da cultura, uma metanarrativa assume o sentido de uma grande narrativa, de nível superior (meta: é um prefixo de origem grega que significa "para além de"), capaz de explicar todo o conhecimento existente ou capaz de representar uma verdade absoluta sobre o universo. A Bíblia e o Alcorão são exemplos de metanarrativas universalmente conhecidas.

Terça-feira, Julho 19, 2011

Apontamentos acerca da Pós-Modernidade (Introdução)



A Pós-Modernidade caracteriza-se por mudanças significativas provocadas e vividas pelo homem, dentre as mais evidentes e que desencadearam inúmeras outras, aponta-se a globalização, uma tentativa de unificar as sociedades do planeta, uma nova ordem de cultura que, segundo alguns teóricos, estaria colocando em perigo a continuidade da espécie humana.

Para muitos desses teóricos (em especial filósofos e sociólogos), a Pós-Modernidade é marcada por fenômenos que representam um divisor de águas com a Modernidade. Surgida a partir da desconstrução de princípios, conceitos e sistemas construídos na modernidade, esse novo tempo estaria desfazendo todas as amarras da rigidez que foi imposta ao homem moderno. Assim, valores supremos como o FIM, representado por Deus, a UNIDADE, simbolizada pelo conhecimento científico e a VERDADE, como os conceitos universais e eternos, já estudados por Nietzsche no fim do século XIX, entraram em decadência acelerada na Pós-Modernidade.

Por conta disso, para a maioria dos autores, a Pós-Modernidade é traçada como a época das incertezas, das fragmentações, da troca de valores, do vazio, do niilismo, da deserção, do imediatismo, da efemeridade, do hedonismo, da substituição da ética pela estética, do narcisismo, da apatia, do consumo de sensações e do fim dos grandes discursos.

Domingo, Julho 03, 2011

A RELIGIÃO







"QUEM ELIMINA A RELIGIÃO ELIMINA A TODO E QUALQUER FUNDAMENTO DA SOCIEDADE HUMANA" Platão

A religião representa o imaginário social, ao mesmo tempo em que fala da capacidade humana de idealizar, de representar e de pensar a sociedade. Por ser agregadora, a religião denota um lugar privilegiado para significar e conduzir as mais diversas práticas coletivas. Tangencia a experiência humana, por isso fala do encontro entre os distintos contextos sociais, da realidade individual e da experiência transcendental. Manifesta-se na orientação do cotidiano, regulando-o.

Por outro lado a religião também constitui-se em grupos, definindo ritos, cerimônias, normas, modelos e hierarquizações. Envolve o real, o factível, o telúrico. Mas não somente, apesar de intrínseca ao cotidiano, dialoga com situações que, talvez, escapem ao controle da domesticação moderna, como o transe e a possessão. Permeia o mundo moderno, transcende a lógica da produção e do acúmulo capitalista. É capaz de confrontar os modelos da racionalidade e da utilidade, fazendo possível o re-encantamento da experiência humana, para além da "jaula de ferro".